quinta-feira, 1 de março de 2012

01, de Março, de 2002.



"Você é o amigo, eu sei. Que eu sempre sonhei, e que finalmente ganhei. Você vai me fazer companhia, com muita alegria, pra sempre comigo. Você vai ser meu grande amigo. Vai gostar de morar nesse lar."

                                                                                      Oliver & Company




Quando eu trouxe você para casa, naquele Abril de 2002, envolvi seu corpo pequeno com minha própria blusa para mante-lo aquecido, como se pudesse recompensa-lo por tira-lo tão cedo de sua mãe. Sinto muito por não conseguir esperar mais. Desde quando te vi, na caixinha de papelão, e depois de te embalar nos braços, eu sabia que deveria traze-lo, e cuidar de ti como se fosse parte de mim.

Comprei duas vasilhas - ainda me lembro das cores, verde e azul. Cor de menino, eu pensava - e as coloquei lado a lado em um canto da casa. Lembro que, por muito tempo, esqueci a Barbie e as bonecas, para me dedicar apenas à você. Peguei todas as roupas dos meus bebês de plástico e deixei em uma malinha, para que você tivesse sempre o que vestir. E toda tarde, depois do almoço, te enrolava em uma coberta e o colocava no carrinho de passeio rosa - que a boneca te doou também - para balança-lo até que seu sono chegasse.

Você odiava!

Odiava tudo. Você pulava do carrinho assim que eu virava as costas, mas eu te colocava lá dentro de novo, nem que ficasse nisso a tarde toda. E quando eu fazia "papinha" com ração e leite, e tentava te dar com uma pequena colher de brinquedo, você se mexia tanto que caia tudo no chão, e eu tinha que limpar depois. Mas eu nunca ficava zangada ou desistia. Tudo que eu queria era, de alguma forma, ser a sua mamãe. Eu o via tão pequeno, dócil, e precisando de cuidados que parecia certo bancar a dona do lar, mesmo que eu tivesse apenas 9 anos. Demonstrar meu amor por você me fazia sentir-se mais viva a cada dia, e poder te cuidar era como se nos tornássemos realmente uma família.

No seu aniversário de um ano, como se não bastasse tanto empenho, eu dei uma festinha. Festinha mesmo! Com bolo, doces, e chamei algumas amigas. Você até ganhou presentes. Tinha convite, lembranças, enfeites e tudo o mais. Eu estava tão feliz por vê-lo crescer, por saber que o meu bebê já era um jovem, mas eu mal sabia de toda a dor de cabeça que isso me causaria mais tarde.

As fugas, as noites longe de casa, os machucados, as idas à Veterinária pra tomar soro, dar injeção, ficar internado, fazer cirurgia... É! Você foi um garotão e tanto, vivendo no limite, arriscando suas sete vidas sem medo algum. E isso me deixava louca, eu não podia imaginar meu mundo sem você nele. Eu nunca pude.

Lembro de quando todos me julgavam por fazer o que eu fazia por ti, mas eu nunca vi as coisas por esse ângulo. Tudo bem, você é um ser "irracional", mas eu acredito na verdade dos nossos sentimentos toda vez que encaro seus miúdos olhos verdes. Não importa o que digam, você já fez mais por mim do que muita gente que dizia se preocupar. Você ficou ao meu lado em cada cólica de rim ou cada doença que me deixou de cama. Você esteve aqui nas noites que eu chorava por milhares de motivos estúpidos. E, eu nunca vou me esquecer de todas as vezes que nos esperou no portão, de todas as vezes que eu voltei da escola ou faculdade e você estava ali, com um sorriso - que eu podia imaginar - nos lábios. Sempre preocupado, sempre cuidando, esperando. É como se depois de todos esses anos, você retribuísse todo o cuidado que eu tive contigo, ainda que tenha sido incondicional.

"Uma moça ligou aqui fazendo aquelas pesquisas e queria saber quantas pessoas moravam na casa. Eu disse cinco, só depois eu vi que contei o Óliver."

Minha mãe disse isso uma vez, e eu fiquei encantada por saber o valor que você tem aqui, no nosso lar. É, meu pequeno e velho Óliver, você cresceu e o amor que sentíamos por você foi se multiplicando a cada ano que se passou, e quando partir (eu espero que demore muito), sei que esse amor não vai morrer, e que vou levar você comigo a vida toda. Eu te agradeço imensamente por ter sido o melhor amigo, filho, e gatinho de estimação que eu poderia ter. Espero que continue alegrando nossos dias, com essa força que te faz/fez passar por tantos obstáculos (porque a vida felina não é fácil), e que receba muito amor, carinho, saúde, água fresca, ração e sonecas (porque você adora!).




Nós sempre estaremos juntos. E quando eu digo sempre, é sempre.
Te amo, um milhão de vezes. Feliz dez anos.

Um comentário:

Rafa Antunes. disse...

Isso sim é lindo :D