sexta-feira, 16 de setembro de 2011

dez,2008.

O travesseiro eu prendia com força embaixo do braço, e o ursinho favorito eu segurava em uma das mãos. Era um pequeno boneco de neve, presente de minha mãe, adornado por um gorrinho natalino e um cachecol vermelho e branco. "Cá", como o nomeei, era adorável e eu fazia questão de leva-lo para onde quer que eu fosse. Subi, dessa forma, os degraus do ônibus naquela madrugada quente de Dezembro. A escuridão fazia meus olhos se esforçarem para enxergarem o corredor apertado por onde todas as pessoas iam passando até que escolhessem seus respectivos lugares. Segui até o fim dele, decidindo me sentar em um dos últimos bancos, ao lado da janela.
Pedro estava um pouco atrasado, então eu havia tomado a liberdade de escolher onde nos sentaríamos. Esperei por alguns longos minutos até que apareceu sonolento, arrastando-se com suas bagagens nas mãos pelo corredor escuro.
- Pedro, aqui.
Levantei o tom da voz, chamando sua atenção. Balancei a mão freneticamente para que ele pudesse me ver. Encarou-me e caminhou em minha direção, sentando-se no lugar reservado a ele, ao meu lado. Uma euforia tomou conta de mim apesar do horário ser tão inapropriado para aquele animo todo, mas viagens costumavam ter esse efeito sobre mim. Ansiedade, inquietação, animação. Era a primeira vez que iria pra tão longe com meus amigos, e eu estava feliz por ter Pedro ali.
- Você trouxe o mp3? - perguntei a ele assim que o ônibus deu partida.
- Sim. Aqui.
Tirou da bolsa o aparelho e me mostrou.
- Ótimo. Agora, aonde estão os foninhos?
Do jeito que ele era desatento, não seria novidade ter esquecido um detalhe como esse.
- Não trouxe.
- Como assim não trouxe? - aumentei um pouco o tom da voz, incrédula.
- Trouxe outra coisa, oras.
- Pedro, eu disse pra você que queria escutar música. É bom que sirva! - estava começando a me aborrecer.
- Olha!
Ele puxou, então, duas caixinhas de som muito pequenas, as quais eram ligadas no mp3 por um cabo. Sorri, aliviada.
- É por isso que eu gosto de você - afirmei.
Incrível a capacidade que ele tinha de me deixar nervosa e querer mata-lo, mas um segundo depois voltava a ser o meu divertido e bobo Pedro.

Ligamos o som, e a música ecoou alta, fazendo a gente rir.
- Pedro, tem gente dormindo. Eles vão nos odiar!
- Ah, nem dá nada. Não tá nem tão alto assim, vai.
E rimos, e cantamos, e ouvimos. E rimos.
E gravou, e marcou, e ficou na memória. 

Eu nunca me esquecerei dos detalhes daquela viagem. Os momentos ao lado dele são lembranças gostosas, que não ferem, nem queimam a boca do estômago. São bonitas, me fazem querer voltar no tempo. Mas eu não preciso disso, o que as tornam mais bonitas ainda. Não preciso voltar, porque ele permanece. O meu Pedro sempre permanece, e no amanhã, eu sei que teremos outros momentos para transformar em marcas eternas.

Um comentário:

Gabriela Bruschini disse...

Amizade verdadeira é o que há. Dá até mais vontade de incomodar os outros do que passar calado, que nem no seu texto, sabendo que isso vai render memórias. =)