sábado, 1 de setembro de 2012

Você tem a chave e sabe que é pra mim.

         
          Mais uma noite malditamente cansativa, recheada de preocupações infindáveis por trabalhos e pesquisas do semestre. Ah, o último semestre... Vamos ser realistas, a maioria empurra com a barriga que eu sei, mas, mesmo fazendo parte dessa porcentagem, não é todo trabalho que faço de qualquer jeito. Alguns, talvez. Menos esse trabalho. Não o dessa professora. Ela é daquele tipo que tem o olhar certo para fazer qualquer aluno tremer na base. Eu não me arriscaria a apresentar um trabalho mal feito, especialmente se tratando da aula dela.

            Assim sendo, estávamos nós na Biblioteca, o lugar mais adequado para desfrutar de silêncio e tentar se concentrar em algo produtivo. É, estávamos tentando. Trabalhos em grupo, quase sempre, são os mais difíceis de serem feitos. Acho que isso não é novidade. Tem sempre alguém paralelo ou, se não, alguém que nunca concorda com nada, e, também tem sempre aquele que quer deixar tudo exatamente do jeito dele, e não importa o que você pensa ou deixa de pensar. Enfim, isso é meio previsível. E é o que acaba acontecendo... Sendo assim um dos fatores por eu preferir os trabalhos individuais ou, no máximo, em dupla.

            De qualquer forma, aquele tinha que ser feito em grupo, eu gostando ou não. E em todo caso, estávamos indo bem. Meus colegas não eram pessoas complicadas de lidar e já tínhamos feitos outros trabalhos juntos. Em poucas palavras, aquilo era mais do mesmo. Nada de novo, só o tema a ser desenvolvido... E que também não era um assunto de outro planeta, mas estava sendo difícil achar material, já que só tínhamos um notebook (com a internet lentíssima) para dividir em quatro pessoas.

            - Vamos perguntar pra recepcionista da biblioteca se tem algum computador disponível? – sugeri para uma das minhas amigas.
            - Acho que não tem... – ela olhou através do vidro da sala onde estávamos – mas, podemos tentar.
            - Sim. Talvez ela libere algum pr’agente. Podemos falar que é urgentíssimo – eu disse.
            - Tudo bem, então. Vamos – ela disse abrindo a porta da pequena sala. Dentro da biblioteca existiam essas cabines onde, geralmente, os grupos faziam trabalhos ou debates – Pessoal, nós já voltamos. Se conseguirmos usar um computador, adiantamos nossa parte do trabalho e trazemos pra vocês verem daqui a pouco – ela completou enquanto eu a seguia para fora da cabine.

            Ela foi à frente, caminhando ao lado das mesas lotadas de alunos com seus livros e cadernos, e eu a segui com os olhos até vê-la virar o balcão principal. Então comecei a aumentar o passo, meio elétrica e sem prestar atenção, como sempre faço. Isso nunca me trouxe problemas, mas... Quando estava prestes a virar o balcão, parei. Não porque quis, mas, simplesmente porque se não o fizesse cairia em cima dele.

            Segurei a respiração sem nem perceber, e olhei para cima. Tão mais alto. Tão bonito. Nossos olhos encontraram-se e desviaram-se na mesma velocidade que uma estrela cadente leva para se movimentar. Rápido era tempo demais comparado àquilo. Mas eu não consegui fazer nada diferente. Apenas murmurei um “ops” e desviei meus passos rapidamente para onde minha amiga estava.

            Dizem que o coração vai à boca, mas o meu estava nos ouvidos. Eu juro, conseguia ouvi-lo bater! Mesmo com a respiração descompassada, observei pelo canto dos olhos ele conversar com outra recepcionista enquanto esperava minha amiga conseguir um computador.

            Eu só conseguia pensar em todas as vezes que corri por todo aquele Campus, por todas aquelas escadas, pra lá e pra cá. Tantas vezes naquela biblioteca. Tantas vezes apressada, e isso nunca me aconteceu. Até mesmo quando eu desejava que acontecesse. Quando mentalmente eu pedia para esbarrar no cara dos meus sonhos, mesmo sabendo que isso é babaca e só acontece em filme. Mas nunca aconteceu, nunca.

            E então, de repente, lá estava ele, perto o suficiente para me encarar nos olhos, e eu quase passei por cima.



4 comentários:

Munique R. Novaes disse...

Como é linda a possibilidade de achar um grande amor dessa maneira! Boa parte das garotas têm esse sonho.. Lindo texto!

Bia Hain disse...

Oi, Laís. Sei bem o que significam instantes como esses...inesquecível. Não se pode passar pela vida sem isso. Um abraço, ótima semana!

Júlia disse...

Oi Laís! Poisé, por isso sempre dizem que é melhor não ficar "programando" as coisas em nossa mente. Deixar que elas aconteçam naturalmente é mais... marcante, sei la.

Beijos :*

Nina disse...

Eu tive um professor que me dizia o seguinte: "o amor da sua vida pode estar naquela esquina, por isso, esteja bonita e segura de si". Acho que é bem por aí, a gente nunca sabe quando nos deparamos com o amor verdadeiro e, confesso, foi justamente assim que conheci o meu.
Sorte.
Abraços.