sábado, 6 de outubro de 2012

A melhor forma de escrever sobre.



          “É que eu gosto de te fazer rir...”, suas palavras adocicadas ecoam nos meus pensamentos, por longos segundos depois de ditas. Sorrio por dentro. Daqueles sorrisos que até aquecem o organismo e você só se da conta quando, de repente, suas bochechas começam a arder. Viro meu rosto para que você não me veja corada, ainda sentindo o gosto doce das suas palavras. Adoçadas com açúcar, diz meu lado meigo. Posso sentir o gosto da sinceridade, então sei que não é adoçante. Não é artificial. E eu respiro fundo, plenamente feliz com minha constatação sublime.

            “Olha! É o Ashton...”, eu digo tentando te fazer olhar para o filme que passa no Notebook. Sei que você não está tão interessado em assistir, pois age como se não tivesse me ouvido. Em vez disso, continua brincando com os meus dedos da mão. Contorna várias vezes o anel que uso no dedo médio, e depois faz o mesmo com a cicatriz que tenho na lateral esquerda da mão.
            “Eu disse para minha avó que não vou me casar por culpa dessa maldita marca!”, recordo-me do drama que fiz alguns meses atrás, quando ganhei a cicatriz por ser descuidada e, consequentemente, encostar-me no forno quente. Eu não chorei. Fiz uma careta e disse que se um dia eu não me casasse, seria por culpa daquilo. Claro que vovó deu risada.
            Esperei que você risse também, mas não o fez. Na verdade, abriu um sorriso sem dentes, com os olhos fixos em mim. Desejei ler seus pensamentos e agradeci por você não ter a capacidade de ler os meus. Naquele segundo, assumo que me perguntei se um dia você se cassaria comigo. Se teríamos uma casa com varanda e alguns filhos para nos visitar em tardes de domingo, quando estivéssemos bem velhinhos. Se teríamos mais momentos assim, tranquilos,  dividindo a companhia um do outro, com conversas sutis. E talvez eu continuasse pensando sobre isso, se minha atenção não tivesse sido interrompida por uma voz fina de criança, pedindo-me para ler uma história. Ela é encantadora igual a você, foi meu último pensamento antes de abrir o livro infantil.



3 comentários:

Bia Hain disse...

Oi, Lais. No fundo todos temos esses sonhos simples de estar com alguém que nos aquiete o coração e viver essa simplicidade até o fim dos dias. Lindo texto, um abraço!

Emilie S. disse...

Que lindo <3
eu não pensei que eles fossem casados.
o final meio que me surpreendeu
~Emilie Escreve~ FanpageTwitter

O Profeta disse...

Este pensador, viajeiro entre Sois
Esta Ave pousada em mil embarcações
Esbarco que passa sem vela ou remo
Esta arca repleta de vibrantes emoções

Esta mestiça flor de açafrão
Este ramo de espinhos cravados na mão
Esta alma que não ousa largar opinião
Este homem vestido de solidão

Boa semana

Doce beijo