quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sempre foi um Plano Simples.


''Abatido como um espelho estraçalhado em pedaços, você aprendeu o modo mais difícil de fechar a boca e sorrir. Se estas paredes pudessem falar, elas teriam muito a dizer. Porque toda vez que você luta, as cicatrizes vão se curar, mas elas nunca irão desaparecer.''

Você se lembra, mãe? Era minha favorita do terceiro CD deles. Lembra de como eu cantava alto no carro, com o vento bagunçando meus cabelos, quase esquecendo-me dos motoqueiros que olhavam estranho vez ou outra? Eu acho que berrava naquela parte, aquela quase no final da música. Deve ter sido por isso que as pessoas olhavam. Nem se quer me importava. Nem quando você dizia: Menina, pra quê tudo isso? Poxa, mãe, era o meu show. Você sabe que eu era quase a sexta integrante da banda... Quase. Decorei todas as letras, sabia quando entravam os solos de guitarra, e também a hora certa dos backing vocals darem o ar da graça. David fazia (ainda faz) o melhor "oh oh oh" do mundo. Não digam o contrário, por favor. Eu defenderia aquele baixista com unhas e dentes. Certo. Talvez seja exagero. Acho que é. Mas, aqui dentro, em algum lugar onde eu sou forte, eu esmagaria quem quer que fosse. Em pensamento, claro. 

(...) "Eu posso esperar pra sempre."

Dizia outra canção do mesmo CD. Lá vem clichê, mas parece mesmo que foi ontem. Espera-lo chegar pelo correio. Reserva-lo quase um mês antes, temendo que esgotasse. É claro que não esgotaria...Mas fã é fã. E ainda fiz questão de pedir a versão deluxe. ''E dai que é mais caro, pai?'' Ele vinha com o DVD, então tinha um bom motivo!

Obrigada, pai. Obrigada, mãe. Vocês erraram quando disseram que era só uma fase. Não por completo, mas erraram. Era uma fase sim, mas sei que pensavam que aquele amor fosse morrer lá, na minha adolescência cheia de gritos estéricos. Os gritos cessaram, pelo menos não passam pela minha garganta quando vejo aqueles garotos (agora homens) pela TV. Mas adivinhem só, aqui dentro, eu ainda posso escutar o som agudo e cheio de amor toda vez que isso acontece. Não sinto mais a necessidade de pular em frente ao televisor porque agora é diferente; Agora eu sento na pontinha do sofá, respiro fundo, fico absorvendo cada parte da canção, do clipe, dos traços conhecidos, e uma voz bem calma diz: você sempre os amará, garota.





3 comentários:

Paulo Sotter disse...

É bom mantermos vivos nossos gostos, nossos sonhos de adolescência, mesmo que distantes. É importante sermos autênticos e cultivarmos nossas melhores lembranças como relíquias guardadas ao longo do tempo. É bom olhar-se no espelho e mesmo com todas as mudanças que a vida nos impõe, reconhecer-se. Gostei do teu blog, se me permite sigo. Um abraço

Nina disse...

Minhas (péssimas) influências musicais vieram da minha irmã mais velha. O tempo passou e eu aprendi que as composições da nossa terra são magníficas. Chico e Caetano serão musos eternos em minha vida. Vem sendo, desde a infância.
Abraços.

Diego França disse...

Lembrei de minha infância, adolescência e cheguei ao meu atual momento. Sempre fui muito fã de uma dupla, desde criancinha. Era bem essa euforia de Cds e coração acelerar frente a TV. Hoje eles cresceram, se separaram, mas todas aquelas lembranças ficaram lindas em minha cabeça e nas minhas coisas. Hoje ainda admiro o trabalho, amo sim, claro, mas de forma mais pé no chão. Afinal agora tenho a minha vida pra cuidar também e fazer o meu show. Mas gostei desse texto também.

Diego França
Blog Vida e letras

http://blogvidaeletras.blogspot.com