segunda-feira, 21 de julho de 2014

O último de todos.

Eu ainda lembro tão bem daquela manhã. Dos olhos se espreguiçando, das monossílabas trocadas e, principalmente, do nosso frio selar de lábios. Aquele. O último de todos. Lembro da suplica que travei para consegui-lo, humilhando-me ainda mais, se é que era possível. Eu, implorando por uma simples demonstração de afeto? Nunca pensei que doeria tanto... Que chegaria a esse ponto. Por Deus, até de dentes escovados eu estava, então por quê você precisava negar? Virar o rosto como se o ato fosse desprezível? Creio que tenha sido a falta do álcool circulando em suas veias, fazendo-o voltar a ser o cara de sempre, aquele que desconhece a palavra respeito. Aquele que se aproveita do carinho de boas pessoas quando está sob o efeito de qualquer droga vagabunda, mas depois volta a maltrata-las. E que ria freneticamente enquanto me contava sobre suas experiências ridículas pelo mundo à fora. Eu mal sabia se tinha mais pena de você ou de mim, por estar ao seu lado, ouvindo tudo, implorando atenção.

Eu ainda lembro e, de verdade, fico feliz por lembrar. É exatamente por isso que mantenho minha distância, sinto-me segura agora, longe de toda maldade que você gostava de espalhar e enfincar na minha alma.


2 comentários:

Lucas - Blog: Overture disse...

Teu texto riquíssimo em sentimento e beleza nos traz uma situação tão repetida! A maior dor que um sentimento pode causar é a da rejeição. Mas a pior dor da rejeição é a descoberta tardia de que tal rejeição fosse absurda, e sua dor, portanto, desnecessária. Sofremos desnecessariamente. Por quem não vale. Contudo, se descobrir isso gera a dor da mágoa e do desprezo, também gera, se nos concentrarmos nele, um grande sentimento de libertação. Agora somos livres. Ainda que tardiamente, ser liberto é tudo que importa! Beijossssssssss

Bia Hain disse...

Pessoas que só trazem para a alma sentimentos ruins e mesquinhos precisam mesmo ficar longes. Um abraço!