quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Existe algo bonito nisso.



O calendário marcava dia 11 e, no celular, por via das dúvidas, havia um lembrete. Não que ela realmente precisasse, já que sua mente fez questão de lembra-lá do compromisso durante a semana inteira. E agora, a euforia começava a dar seus sinais de vida, no começo um pouco tímida, apenas revirando seu estomago enquanto tentava provar o jantar. Mas conforme os minutos passavam, começou a sentir aquele tipo de inquietação irritante, trocando as roupas do corpo dezenas de vezes antes de se decidir.

Uma última checada no espelho fez com que ela observasse sua pele com mais atenção. Estava cansada, tinha dormido mal nos últimos dias, e por conta da enfermidade recente, havia adquirido uma tonalidade sem graça na pele que, com muito custo, tentou disfarçar com base e pó facial.

Ainda assim, ela sentia-se radiante. Fazia um bom tempo desde a última vez que desfrutara de uma sensação parecida. Essa de se arrumar para alguém além dela mesma. E percebeu uma felicidade genuína com o pensamento. Então, para que não se atrasasse mais, pegou o celular, digitou uma última mensagem e correu até o carro sob as pontas do salto agulha.

O caminho parecia duplicar todas as vezes que o carro parava, Algumas pessoas caminhavam apressadas pela calçada e outras tentavam enfiar ingressos do show pelo vidro dos carros, em uma tentativa agoniante de vende-los a todo custo. Ela encarava os movimentos ao redor, mas seu pensamento estava preso no tempo e nos olhos que esperavam para vê-la. Do outro lado da linha, a voz no celular soava divertida revelando as cores da roupa que vestia naquela noite.

Ela estava tão ansiosa para encontrá-lo, que mal esperou o carro parar completamente para saltar pela rua movimentada e procurar pelo cara de camisa branca. Mas não demorou para seus olhos esbarrarem com os dele em um comprimento tímido, seguido de um abraço afetuoso e sem jeito.

De repente, ela se sentiu acolhida o suficiente para ignorar a irritação em ver tantas pessoas aglomeradas ao seu redor, e lado a lado, eles caminharam até a fila principal enquanto sorriam um para o outro.

(...)




CONTINUA (nem que seja só pra mim).
ops, mania antiga e feia de guardar textos.

Um comentário:

Bia Hain disse...

Não, não é só para você... volta e meia estou por aqui. ;) Um abraço!